quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Instituto Tonny Ítalo - 11 de Agosto. Três Grandes Lançamentos

InsTI na Assembleia Legistativa








A Biblioteca Rodolfo Teófilo destaca a importância do momento nobre no qual marca a presença do Instituto Tonny Ítalo na casa maior do povo cearense, precisamente no dia 11 de agosto, no Auditório Murilo Borges da Assembleia Legislativa do Ceará. Dentro das comemorações dos trinta anos do homenageado, que continua vivo em luz pelo propósito sócio-educativo, faz-se necessário aplaudirmos o Espaço Leitura por viabilizar a nossa singela contribuição em forma de leitura técnica para a análise das autoridades, estendendo-se à coletividade.

 Três livros que nasceram de teses, portanto de estudos minuciosos da parte dos autores, nossos companheiros gestores, proporcionando ao público a comunicação de momentos sociais, comunitários, voltada à reflexão sobre os momentos e vivências das comunidades. Daí a relevância desse contato com todos os setores, em sentido amplo, culturais, levando através de intervenções a discussão como base do princípio fundamental da educação, que é a convivência livre, pacífica e orientativa por um mundo integrado ao saber.


Gláucia Lima




A professora Gláucia Lima, em ENSEÑANZA DE LENGUA ESPAÑOLA EN UNA PRÁCTICA SOCIOCULTURAL A TRAVÉS DE CANCIONES – ESPAÑOL CARIBEÑO expõe essa relação em forma de técnica educativa, evidenciando uma metodologia, dentro dos fundamentos teóricos, de ensino da língua espanhola, introduzindo a canção como forma de penetração na discussão sobre quaisquer idiomas e assim estudar os povos e raças. Um tratado de abordagens ricas voltado não apenas às instituições acadêmicas como a todos que tratam com a educação desde a sua base.








Fernanda Rodrigues




O segundo trabalho exposto é assinado pela professora Fernanda Rodrigues. DEUS CRIOU O MUNDO E NÓS CONSTRUÍMOS O CONJUNTO PALMEIRA vai ao encontro com a estrada percorrida pela autora, uma agente dos direitos dos desassistidos, estudiosa sobre os movimentos sociais, com vivência presencial dentro dos acampamentos, das reivindicações justas, testemunha das lutas dos mais carentes não apenas de Fortaleza como do Estado. Fernanda nos leva à periferia de um grande centro urbano e detalha a vida de uma comunidade que virou bairro através da solidariedade e dos desafios comuns de uma população de origem pobre. Trata-se de uma análise aprofundada das questões fundamentais para se conquistar o essencial de uma família: moradia, saúde, educação e renda.



Mário Fellipe




Temos o outro trabalho do Instituto, MEETIDOS - O MONTA/DESMONTA DE CORPOS, PERFORMANCES GAYS NA BOATE MEET MUSIC & LOUNGE. O professor Mário Fellipe, Diretor do Espaço Leitura e quem viabilizou o evento, traz um livro interessantíssimo sobre convivência social. Aborda a interação entre os homens gays numa boate, rompendo preconceitos, numa análise sensata sobre processos de subjetivação contemporânea. Esse contato humano reverte em amor, sinalizando em resposta a atos homofóbicos, ainda de nos sintamos longe das igualdades de valores. Aos que possuem direitos negados, como os negros, palestinos, árabes e gays, o autor propõe interações sociais contra a cultura conservadora. 


“Todas as pessoas fazem parte da cultura e são produtoras de cultura, que é uma produção contínua de determinados lugares sociais” (Mário Fellipe).


 
  São escritos que se entrelaçam dentro da realidade e têm particularidade com a educação social, o que nos levam a insistir por investimentos, público e privado, por diversidade e mais espaços nas promoções e atividades culturais. Três elementos de artes contemporâneas que só enriquecem os desafios sociais em que nos envolvemos, estudos que dão conta de vivências e práticas dentro das visões antropológicas e sociológicas em meio à complexidade de um mundo que procuramos compreender.




 “Devemos trabalhar por uma perspectiva de pensar a arte a partir do fazer” (Mário Fellipe).


Colaboradores Homenageados:


 Kelsen Bravos (Escritor e Professor, Curador da Bienal Internacional do Livro do Ceará)
→ Vera Camelo (Cantora e Escritora, Coordenadora do Projeto Social A Casa dos Sonhos)
 Rita Josina (Diretora-Presidente da AFBNB- Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil)
→ Arievaldo Viana (Poeta Popular, Ilustrador, Cordelista e Escritor)
→ Duarte Dias (Curador do Cinema do Cineteatro São Luiz)
→ Oneide Braga (Fundadora e Presidente emérito da APAVV- Associação de Parentes e Amigos Vítimas da Violência)
 Dolores Mota (Socióloga e Professora da UFC- Universidade Federal do Ceará)
 Marcos Augusto (Presidente da CAFAZ- Caixa de Assistência dos Servidores Fazendários Estaduais)
→ Zenilse Rebouças (Coordenadora do FMFi- Fórum de Mulheres no Fisco e Delegada Sindical do SINTAF/CE)
→ Monah Monteiro (Produtora de Eventos e Militante na defesa LGBTT)


J. Lucas Jr. é Coordenador da Biblioteca Dr. Rodolpho Theophilo (InsTI - Itaitinga CE)



segunda-feira, 12 de junho de 2017

João de Oliveira Rola - Cearense na Conquista do Acre


 


 
Coronel João Rola. (Folha do Acre, 1912)

 Engatinhando com a Família


 João de Oliveira Rola, nascido em 24 de março de 1870, na insuficiência de recursos em sua vila, partiu para Fortaleza ainda adolescente, onde estudou e aprendeu os ofícios da vida. Neto de um dos fundadores de Trairi, Francisco Xavier de Souza, que morava na Rua de Baixo (Fortunato Barroso), juntamente com os irmãos mais velhos, Francisco (Chico) e José, trabalhou no comércio, e mais tarde na venda de garapa de cana de açúcar que a família montou no entorno da Praça do Ferreira, por volta de 1896. E com o lucro da mesma, após casar-se, tratou de se aventurar no norte do País - ao lado do seu irmão Antônio Tomé, de onde fervilhavam notícias de riquezas através da seringa, enquanto os irmãos tocavam o Maison Art - Nouveau (café e jogos) e fundando mais tarde o famoso cinema (mudo), Polytheama, na Praça do Ferreira, N° 13, local do atual Cineteatro São Luiz.


 Pesou o fato de seu sogro, Antônio Souza Braga, de Imperatriz, hoje Itapipoca, possuir seringais no Acre. Entretanto, o jovem iniciou a jornada em Belém PA, ao lado da consorte, Jocunda, na loja do ramo de borracha Miranda & Cia até 1901. Com a experiência, partiu para o oeste a fim de gerenciar as firmas do sogro em terras bolivianas, primeiramente a Souza Braga & Cia. Na comunidade, seus conterrâneos Frederico Andrade (famoso médico e latifundiário de Uruburetama) e João Martins, de S. Luís do Curu. Com seu cunhado, Pedro, trabalhou na firma P. Braga & Cia, no seringal Bemfica, herdando os bens e todos ativos e passivos após a morte do outro. Foi quando associou-se a José Maria Dias Pereira e com ele fundou a Dias & Rola, em Riosinho, até 1911, quanto comprou a parte do colega, denominando-se, a partir de então, J. Rola & Cia.



Praça José de Alencar. Cearenses "Soldados da Amazônia" (Aba Film - Acervo Lucas)



A Revolução Acreana


Joca Rola aos 78 anos
 Com cerca de trinta anos, viúvo, assistiu seus conterrâneos nordestinos, que penetravam cada vez mais no território alheio atrás da borracha, castanha e tudo em valia para o comércio nas grandes cidades brasileiras, como Manaus e Belém. A Bolívia, outrora alheia, percebeu as atividades clandestinas e passou a cobrar impostos, fato que desagradou os invasores, cuja maioria era cearense.
 Tendo em vista as manifestações nacionalistas do outro País, que comemorava a independência, alegando temeridade as cobranças comerciais, fechou-se questão pela liderança do gaúcho, fazendeiro, parceiro dos negócios dos Braga, Plácido de Castro, comandante de um pelotão que tomou de assalto a base militar boliviana em Xapuri, naquele ano festivo de 1902. Anunciou uma “revolução” e prendeu autoridades locais, partindo em glória, sentindo-se vitorioso, para o seringal “Empreza”, a qual mais tarde viria a ser a capital acreana, Rio Branco. Porém, houve a ofensiva inimiga, no que pese a floresta e os problemas de infraestrutura. A Bolívia partiu atrás da devolução do seu território, fazendo com que Castro arregimentasse mais batalhões. Durante o conflito armado, João Rola cedeu Bemfica como hospital dos brasileiros em combate, sendo o mesmo o diretor. Assim, com o apoio dos donos de seringais, e do contingente militar nordestino, tomou Puerto del Alonzo, que passou a chamar-se Porto Acre.


 Sem poder bélico e carente de dinheiro, a Bolívia tentou vender as terras aos Estados Unidos, entrando, então, a figura do Barão do Rio Branco. Conforme João Rola, a grandiosidade do brasileiro, de fino trato diplomático, foi decisiva para que o Brasil, através do Tratado de Petrópolis, adquirisse o território, que hoje é o Acre, por sinal governado, mais uma vez, por filho de cearense.


Primeiro Intendente de Rio Branco


Aos 90 anos, Joca Rola em Trairi
(Correio do Ceará)
Deu-se, então a prosperidade econômica, social e política de João Rola, em Bemfica e Riosinho. Casado, em segunda núpcia, em 1910, com a Sra. Maria da Cunha Rola, estendeu as suas mercadorias, derivadas da borracha, além de milho e arroz, em todos os portos do norte. Ele com a “patente” de coronel da Guarda Nacional, e vice - presidente do Partido Construtor, aliado do presidente Hermes da Fonseca, gaúcho como Plácido de Castro, herói estadual, cujo nome é um dos municípios daquele estado. Mais tarde, em 15 de novembro de 1913, bem antes de o Acre tornar-se Território Nacional (1921), foi indicado o primeiro intendente de Rio Branco. Ou melhor, de fato o primeiro prefeito da capital acreana, cujo nome obviamente homenageia José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco. Coronel João de Oliveira Rola, cearense de Trairi, onde era conhecido por Joca Rola, faz parte, portanto, da história daquele Estado.



Fontes: Folha do Acre e Correio do Ceará.


Jornal Folha do Acre, 1912




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Miss Ceará - De Emília (1955) à Vera (1963)

Emília Correia Lima, Miss Brasil 1955, com o jornalista
Armando Vasconcelos, no aeroporto de Fortaleza.

Não é bairrismo dizer que a conterrânea é a mulher mais linda do Brasil. O cearense, então, orgulha-se dessa tradição, das constantes vitórias de suas beldades em concursos nacionais. Nenhuma, entretanto, superou Emília Correia Lima, representante do Maguary em 1958, eleita Miss Ceará e consequentemente o título máximo, de Miss Brasil, conquistando o País com a sua beleza e simplicidade. Ela que preferiu a vida caseira, ao lado da família no Recife, às ofertas do mundo da beleza. O Acervo Lucas traz as belas imagens, dos Diários Associados, da nossa misses, entre 1955 e 1963.



1955



Emília Correia Lima - Miss CE 1955

1956




1957



1958




1959





1960



1961



Elza Laureano dos Santos - Miss CE 1961



1962




1962. Rita Nóbrega de Melo (com a faixa de Miss Simpatia do Brasil).
Miss Ceará representando a AABB.

1963


Vera Maria Maia, Miss CE 1963, representando
o Fortaleza Esporte Clube





Candidatas concurso de 1962

1963


1963

Fotos dos jornais Correio do Ceará e Unitário, dos Diários Associados, que promoviam os eventos, incluindo a Ceará Rádio Cube (PRE 9) e a TV Ceará. 


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ônibus de Fortaleza - Um Passeio no Tempo pelas Folhas dos Jornais

1936. Praça da Sé: ônibus vira ao se chocar com bonde (O Estado)

Acervo Lucas traz registros do serviço de ônibus de Fortaleza, em todos os sentidos: veículos novos, greves, protestos, acidentes...As imagens fazem a história. Enquanto nos dias atuais, os reajustes dos preços das passagens incluem os serviços de ar condicionado e de internet, antigamente o dilema era a insegurança. Muitos veículos quebravam a barra de direção, outros faltavam freios, mas a população sempre precisando deles.


1926


Ônibus Dodge Brothers, da Camilo & Cia, para 22 passageiros. O primeiro que conhecemos. (Bataclan)


1936



Dez veículos da empresa São José, na Av. Visconde de Cauípe (Universidade). (Unitário)


1949



1949: Empresa São Jorge e as novidades da Dodge (Gazeta de Notícias)



1950




Linha 13, Aldeota, da Bom Jesus ( O Estado)

1952


1952. Greve e sufoco (Unitário)

1955


1955. Ônibus de Porangabussu colhido por trem. (Gazeta de Notícias)



1957


1957. Garagem da São Francisco. (Unitário)

1958


1958. Auto Viação Fortaleza. (O Jornal)

1959

1959. Linha Panamericano - Emp. S. Terezinha (O Estado)

1960


1960. Linha Floresta na Praça José de Alencar. (Tribuna do Ceará)


1960: quebra-quebra

1961


1961. Abrigo em Parangaba. (Tribuna do Ceará)


1963


1963. Linha Armando Oliveira, na Colônia (Correio do Ceará)

1963. Correio do Ceará confronta aumento dos preços das passagens com a qualidade dos serviços.


1963. Veículo abandonado é usado por casais de namorados (Tribuna do Ceará)

1964


1964. Um poste na Visc. do Rio Branco. (Correio do Ceará)

1965


1965. Linha Aldeota. (Tribuna do Ceará)


Bonde da Praia de Iracema  vira ônibus na Travessa Crato com Conde D'Eu. (O Estado, 1936)



domingo, 23 de abril de 2017

Liga Eleitoral Católica - O Integralismo no Ceará

 Surgimento da Justiça Eleitoral


 Após as eleições de março de 1930, vencidas pelo candidato governista, Júlio Prestes, ocorreu o movimento insurgente denominado Revolução de 30, que levou ao poder o derrotado, Getúlio Vargas. Sob alegação de fraudes eleitorais, o que, na época, era prática escandalosamente corriqueira, o novo governo, tratado de golpista e ditatorial, correu para por em evidência a sua promessa, fundando uma Justiça Eleitoral Especializada com o seu devido Código. Dois anos depois, com a instalação do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais, ela estava em prática no intuito de se focar acima dos interesses partidários, legitimando os pleitos através de novos alistamentos dos eleitores e consequente controle do processo, que se concluiria com a proclamação dos eleitos.


 Dois Partidos e Dois Jornais




Padre Helder Câmara em 1936 (Foto J.O.)

Tal esquema democrático, porém, viu-se ameaçado a partir da forma desse cadastramento. Diante de uma população formada por analfabetos e de base social majoritária e dominada pela pobreza, os partidos políticos assumiram a atividade dessa legalização, documentando e filiando o eleitorado à sua maneira. Não se admitia eleitoras menores de 21 anos ou analfabetas, poupando os homens desde que não fossem mendigos. Marcadas as eleições para a Assembleia Constituinte para 3 de maio de 1933, dois partidos e dois grandes jornais se destacaram durante a campanha no Ceará.



Jornal O Nordeste e a apuração. Dr. Waldemar Falcão e Ubirajara
Índio do Ceará eleitos pela Liga Eleitoral Católica.
O Partido Social Democrático (PSD) foi fundado em Fortaleza pelo Tte. Fernandes Távora, com apoio dos militares, defendendo a nacionalização do petróleo e das demais fontes de energia, e ao mesmo tempo a propriedade individual. Já a Liga Eleitoral Católica (L.E.C.) surgiu no Rio de Janeiro pelo cardeal Dom Sebastião Leme, bispo daquele estado. Com ela, partidos pequenos alinhados ao perfil católico, como o Partido Republicano Democrata e o Partido Republicano Nacionalista, que no Ceará  abrigava os remanescentes do Partido Conservador, da Oligarquia Accioly. Defendia, entre outros, a indissolubilidade do matrimônio e que a nova Constituição fosse promulgada em nome de Deus. Seu secretário, no Ceará, era Ubirajara Índio do Brasil. O jornal O Povo, do jornalista Demócrito Rocha, assessorado pelo seu secretário, futuro genro, deputado estadual e governador, o jovem advogado Paulo Sarasate, estava com o PSD; enquanto o jornal da Arquidiocese, O Nordeste, trabalhou firme para a L.E.C. Segundo os padres, todos os católicos de bem deveriam votar na mesma, "contra o satanás", e isso era uma grande vantagem diante do forte apego do cearense à Igreja. Dos pequenos, o jornal A Rua fazia oposição, O Estado situação, assim como o jornal A Razão, que assumia fanaticamente o integralismo.


 A Igreja Católica com os Integralistas



 Se por um lado trabalhou bem as críticas ao predomínio “elitista” dos pedessistas, apelando aos católicos através de sermões durante as missas, a L.E.C., "o partido de Deus", trouxe para o seu lado movimentos ligados à Aliança Integralista Brasileira (A.I.B.), formados por católicos conservadores e até clérigos simpatizantes dos conceitos fascistas, como o então Padre Helder Câmara, e alguns até do nazismo, conforme publicações na época no O Nordeste. Segundo Darcy Ribeiro, defendia “uma posição espiritualista, pela valorização às tradições cristãs, aceitação da doutrina social da Igreja e combate tenaz ao liberalismo, à democracia e ao comunismo”. Portanto, lutava por um governo fechado, mas cristão, condenando o protestantismo e o espiritualismo.



A Razão, de Fortaleza. Jornal integralista e em em defesa de Hitler

 Diante de uma campanha acirrada, mas de apoio ao governo centralizador de Getúlio Vargas e ao latifúndio, com o coronelismo disputado pelas duas alas, a L.E.C. saiu-se vencedora, elegendo seis deputados, sendo um da A.I.B., Jeovah Motta, do jornal A Razão, contra quatro do PSD, que culpou o interventor federal, Carneiro de Mendonça, pela derrota diante da sua neutralidade. Pressionado, Mendonça acabou se exonerando em 1934, quando novas eleições legislativas ratificaram a hegemonia da Liga, que para a câmara estadual levou dezessete deputados contra treze dos Távora. Essa maioria acabou elegendo, indiretamente, o novo interventor federal, o advogado e professor Menezes Pimentel, que administrou o Ceará pelo maior período da história, dez anos.


Palácio da Luz: posse do interventor Menezes Pimentel. Ao seu lado, discursa o Dr. Gomes de Matos. (O Estado)


 A A.I.B.  não teve problemas para instalar suas bases eleitorais no Ceará, afinal contou com o apoio do Chefe de polícia do Estado, Cordeiro Neto, futuro prefeito de Fortaleza, conhecido como militar linha-dura, postura que ficou mais evidente com os comunistas, pobres e negros.


Praça General Tibúrcio: posse de Menezes Pimentel (O Estado)


Gustavo Barroso, o Líder Integralista no Norte e Nordeste



 Da parte dos intelectuais, destacou-se o cearense historiador, jornalista e advogado Gustavo Barroso, líder das expedições dos “camisas verdes” no Norte e Nordeste, no sentido de difundir a causa da A.I.B. e a sua opção pelos ideais importados da Itália de Mussolini. Essa posição lhe custou o isolamento junto à maioria dos poetas e artistas de Fortaleza, simpatizantes da Aliança Nacional Libertadora (A.N.L.), fundada em 1935. Embora bem recebido pela maioria camponesa e católica, contudo, o integralismo aliava a bandeira da moralidade revolucionária, porém, na realidade, abrigou aqueles cujas práticas condenara, pois o seu discurso era contra os vícios, e assim assumiu a contradição de contar com os velhos políticos de históricos assistencialistas.  Assim a A. N. L., de esquerda e se aproximando do comunismo, passou a combatê-la.


 Igreja Contra a Maçonaria




Integralismo na Escola Normal (O Nordeste)
O jornal O Nordeste contava com a direção do jornalista integralista, Andrade Furtado, que, como fino redator, fez a defesa do estilo fascista, contra a reação dos simpáticos ao PCB, como líderes sindicais e do jornalismo, à frente Jáder de Carvalho, do jornal A Esquerda, que por pouco não foi baleado por integralistas. Mas outras três pessoas não tiveram a mesma sorte, foram mortas durante um tiroteio, em 4 de março de 1935, na Praça do Ferreira. D. Manoel, porém, insistiu em sua convicção de moralidade e não condenou os atos, mandando fechar a maçonaria e orientando os católicos a evitar pisar nas calçadas de centros espíritas. Já Helder Câmara ganhou a diretoria do Departamento de Educação do Ceará.

 Entretanto, em 1936, a L.E.C. desistiu de lançar candidatos, apoiando o Partido Republicano Progressista (PRP) e ajudando a eleger Raimundo de Alencar Araripe, ex-presidente da União dos Moços Católicos, prefeito de Fortaleza.



A Derrocada





O Nordeste destaca Hitler
Com a instalação do Estado Novo, e diante dos conflitos cada vez mais frequentes, Getúlio suspendeu os partidos políticos, ainda que tenha contado com os integralistas na base do seu governo. Membros da A.I.B. tentaram o golpe no golpe, atacando, em 1938, o Palácio Guanabara, sede do governo, no Rio de Janeiro. O Levante Integralista acabou com 1.500 presos e muitos fuzilados. Seu líder nacional, Plínio Salgado, foi exilado em Portugal por seis anos. A democracia só voltaria em 1945, com as eleições presidenciais vencidas por Eurico Gaspar Dutra (PSD). Mesmo com a anistia aos partidos e presos políticos, os integralistas não progrediram, derrotados nas as urnas.

Após a sua renúncia, em 1941, doente, aposentando, D. Manoel não mais influenciou na política, entre viagens e recolhimento em sua residência, na Av. do Imperador, até a sua morte, em 1950, no dia do seu aniversário, afirmando ao seu sucessor, D. Lustosa, não ser merecedor de perdão.

 D.Helder Câmara tornou-se defensor dos direitos humanos, enquanto a Igreja Católica só potencializou os problemas sociais, criticando o autoritarismo político, levando o evangelho ao campo, a partir dos anos 1970.

 O líder mundial do regime, Benito Mussolini, marechal do império italiano e aliado de Hitler, foi fuzilado por seus compatriotas, enquanto Plínio Salgado ao retornar de Portugal engajou-se novamente na política e ao jornalismo. Já o cearense Gustavo Barroso herdou o nome da Praça Fernandes Vieira, no bairro de Jacarecanga, na sua terra, a partir de 16 de dezembro de 1960, na gestão do prefeito Cordeiro Neto, militar, e cujo secretário de urbanismo era Raimundo Girão, ex-prefeito e seu ilustre amigo. Mostrou-se arrependido quanto ao movimento.



Revista Fon Fon: Integralistas na Praça José de Alencar (1934)